A história do navio "Exodus 1947" é considerada por muitos um símbolo da luta dos judeus pelo direito de ocupar uma terra que, por direito, já era sua há milênios. Yossi Harel, que liderou o Mossad na década de 1950, assim reportou o evento: "O Estado de Israel não foi criado em 1948, quando foi formalmente declarado no Museu de Tel Aviv. Nasceu mais cedo, em 18 de julho de 1947, quando um antigo navio americano, bastante danificado, o "Exodus 1947", arrastou-se para dentro do porto de Haifa". O navio se tornou símbolo da luta dos judeus, muitos deles sobreviventes do Holocausto, para emigrar para a Terra de Israel, na época, sob mandato britânico. O incidente mostrou ao mundo as catastróficas conseqüências da política britânica para a Palestina, em vigor desde a publicação do Livro Branco, em 1939, que restringia a apenas 1.500 o número de judeus que podiam entrar legalmente no país. O sofrimento dos passageiros do "Exodus 1947" e a injustiça contra eles perpetrada pelas autoridades inglesas causaram protestos mundiais contra a Grã-Bretanha, resultando em maior apoio nas Nações Unidas em favor da criação de um Estado Judeu. Em 18 de julho de 1947, um navio da Haganá, rebocado pela marinha britânica, aporta em Haifa. A bordo estavam 4.554 sobreviventes do genocídio nazista, todos determinados a viver em Eretz Israel, a terra de Israel, único lugar no mundo que aceitavam chamar de "lar". Os judeus de Eretz Israel também aguardavam aquele navio. Mas, impedidos de se aproximar, foram até a barreira militar inglesa e, a plenos pulmões, cantavam o Hativka, o Hino da Esperança. No cais de Haifa estava também Ruth Gruber, jornalista americana e correspondente do New York Herald Tribune, que acompanhava os membros da UNSCOP, Comissão Especial das Nações Unidas para a Palestina. Gruber cobriu a tragédia dos passageiros do "Exodus", despachando fotos e relatos comoventes, que revelariam ao mundo a agonia, a coragem e a determinação dos judeus embarcados naquele navio. Uma vez que o "Exodus 1947" atracou no porto de Haifa, os britânicos removeram seus passageiros, à força. Revistados, seus bens foram confiscados; as famílias, separadas - provocando pânico entre os refugiados - que ainda tinham abertas as feridas causadas em sua alma pelas "separações" impostas pelos nazistas. Em seguida, foram colocados nos três navios de deportação que seguiriam para Chipre e posteriormente a Port-de-Bouc, perto de Marselha, onde a jornalista Ruth Gruber os esperava mais uma vez. Ainda resistentes e se recusando a desembarcar em qualquer outro país que não fosse Eretz Israel, os passageiros se viram obrigados a regressar a Alemanha, o que causou indignação internacional. Durante um mês, os ingleses tentaram registrar e obter informações sobre os passageiros do "Exodus1947". Mas a todas as perguntas os judeus respondiam com uma única resposta: Eretz Israel! "De onde você vem?", perguntavam os ingleses. "Eretz Israel", respondiam os judeus. "Qual o seu nome?" "Eretz Israel". "Tem cidadania de que país?" "Eretz Israel". A história remonta que, apesar de seu destino atroz, os passageiros conseguiram, depois de algum tempo, escapar para Israel com a ajuda de membros da Hanagá. Fontes: Morashá S.P Gruber, Ruth "Exodus 1947: The Ship That Launched a Nation"